Aparecida ainda é uma cidade dormitório
Por mais que se tente negar o terrível estigma de “cidade dormitório”, que recai sobre Aparecida de Goiânia, é preciso admitir que, até hoje, quase nada se conseguiu fazer para contornar essa realidade. A singular idéia de transformar Aparecida num pólo industrial, muito aplaudida aliás, não será suficiente, porque o simples fato de se trabalhar dentro do município não significa que o cidadão vá desenvolver relação de maior afetividade com a cidade. Afinal, a rotina continua e o aparecidense, do trabalho, retorna ao lar apenas para o soninho costumeiro de longas datas. E, se por um lado, uma fatia de trabalhadores do município foi beneficiada, por extensão, pela presença da indústria, o que encurtou a distância entre a casa e o trabalho, por outro, nunca passou pela cabeça dos administradores a idéia de oferecer ao aparecidense condições para viver a cidade na sua plenitude, como um espaço de integração social.
Para se ter uma idéia, qualquer um que caminhe por Aparecida tão logo percebe que o espaço resume-se, basicamente, num gigantesco retalho de lotes e vias. As pessoas são obrigadas a caminhar pelo meio da rua, recebendo a pecha de mal educadas, porque o espaço reservado à calçada, de tão minúsculo, impede o trânsito de pedestre. É o que acontece em bairros como Garavelo, Jardim Tiradentes e tantos outros, onde se notam pessoas pelas ruas, atrapalhando o tráfego. O pior de tudo é que, assim que sai de casa, o aparecidense cai, este é o termo, muito abruptamente, na rua.
Isso porque os lotes de Aparecida não dispõem do tradicional recuo das vias, onde o aparecidense possa construir uma razoável calçada para o trafego de pedestres e até mesmo para que, ele próprio, passe algumas horas a travar conversa com um vizinho, sem o risco de atropelamento. A cidade, segundo parece, só foi pensada para os carros. E o município é carente também de praças. Marco do surgimento de grande parte das cidades brasileiras, a praça é um ícone do romantismo. Muito embora o aparecidense não seja menos romântico, o município conta apenas com três pequenas praças para quase meio milhão de habitantes, espalhados por cerca de quatrocentos bairros. E de quem é a culpa? É claro que muitos dirão que é do crescimento desenfreado pelo qual passou o município, que tem seus limites conurbados com a capital em diversos pontos. Assim, deixam de considerar que os distintos cidadãos que governaram a cidade fizeram dela apenas um lugar bom e barato para se dormir, sem se importarem que ela deveria ser também um lugar aconchegante para se viver. E foi no transcurso de 70 a 90 que o município ganhou a fealdade dos cortiços, por mãos irresponsáveis que, no conluio com grupos imobiliários, retalharam o espaço sem, todavia, se preocuparem com o bem estar dos que ali morariam. Era a repetida prática da exploração que desenhava uma “banana” bem visível para a qualidade de vida, passando a lotear palmo a palmo cada pedaço de chão, sem levar em consideração os espaços que deveriam ser destinados ao lazer e à preservação ambiental. Só pra se ter uma idéia, a atual Serra das Areias, até bem pouco tempo, era um setor que, muito embora fosse desconhecido e desabitado, tinha sido loteado com o sugestivo nome de Monte Sinai. Somente muitos anos mais tarde, já que ninguém se arriscara habitar o local, seria possível que o poder público realizasse o tombamento, transformando o espaço em patrimônio de preservação ambiental.
Não é, portanto, por seu arbítrio que o cidadão aparecidense está condicionado à individualidade e ao enclausuramento social. É por pura falta de opção, mesmo. E também não adianta dizer que a presença solitária de um shopping e de uma festa anual como o rodeioshow respondam pelo lazer do aparecidense. A verdade é que os espaços comuns para o convívio social se repetem nas escolas e nas tradicionais “feirinhas”. Isso torna a vida menos agradável e permite que o jovem continue migrando para a capital em busca de espaços próprios para seu passa-tempo.
Para se ter uma idéia, qualquer um que caminhe por Aparecida tão logo percebe que o espaço resume-se, basicamente, num gigantesco retalho de lotes e vias. As pessoas são obrigadas a caminhar pelo meio da rua, recebendo a pecha de mal educadas, porque o espaço reservado à calçada, de tão minúsculo, impede o trânsito de pedestre. É o que acontece em bairros como Garavelo, Jardim Tiradentes e tantos outros, onde se notam pessoas pelas ruas, atrapalhando o tráfego. O pior de tudo é que, assim que sai de casa, o aparecidense cai, este é o termo, muito abruptamente, na rua.
Isso porque os lotes de Aparecida não dispõem do tradicional recuo das vias, onde o aparecidense possa construir uma razoável calçada para o trafego de pedestres e até mesmo para que, ele próprio, passe algumas horas a travar conversa com um vizinho, sem o risco de atropelamento. A cidade, segundo parece, só foi pensada para os carros. E o município é carente também de praças. Marco do surgimento de grande parte das cidades brasileiras, a praça é um ícone do romantismo. Muito embora o aparecidense não seja menos romântico, o município conta apenas com três pequenas praças para quase meio milhão de habitantes, espalhados por cerca de quatrocentos bairros. E de quem é a culpa? É claro que muitos dirão que é do crescimento desenfreado pelo qual passou o município, que tem seus limites conurbados com a capital em diversos pontos. Assim, deixam de considerar que os distintos cidadãos que governaram a cidade fizeram dela apenas um lugar bom e barato para se dormir, sem se importarem que ela deveria ser também um lugar aconchegante para se viver. E foi no transcurso de 70 a 90 que o município ganhou a fealdade dos cortiços, por mãos irresponsáveis que, no conluio com grupos imobiliários, retalharam o espaço sem, todavia, se preocuparem com o bem estar dos que ali morariam. Era a repetida prática da exploração que desenhava uma “banana” bem visível para a qualidade de vida, passando a lotear palmo a palmo cada pedaço de chão, sem levar em consideração os espaços que deveriam ser destinados ao lazer e à preservação ambiental. Só pra se ter uma idéia, a atual Serra das Areias, até bem pouco tempo, era um setor que, muito embora fosse desconhecido e desabitado, tinha sido loteado com o sugestivo nome de Monte Sinai. Somente muitos anos mais tarde, já que ninguém se arriscara habitar o local, seria possível que o poder público realizasse o tombamento, transformando o espaço em patrimônio de preservação ambiental.
Não é, portanto, por seu arbítrio que o cidadão aparecidense está condicionado à individualidade e ao enclausuramento social. É por pura falta de opção, mesmo. E também não adianta dizer que a presença solitária de um shopping e de uma festa anual como o rodeioshow respondam pelo lazer do aparecidense. A verdade é que os espaços comuns para o convívio social se repetem nas escolas e nas tradicionais “feirinhas”. Isso torna a vida menos agradável e permite que o jovem continue migrando para a capital em busca de espaços próprios para seu passa-tempo.
Um comentário:
Caro Gedeon, postei um texto seu em meu blog: Educação em crise, publicado no FARO de maio de 2006.
Ainda é coerente.
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