segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Aparecida ainda é uma cidade dormitório
Por mais que se tente negar o terrível estigma de “cidade dormitório”, que recai sobre Aparecida de Goiânia, é preciso admitir que, até hoje, quase nada se conseguiu fazer para contornar essa realidade. A singular idéia de transformar Aparecida num pólo industrial, muito aplaudida aliás, não será suficiente, porque o simples fato de se trabalhar dentro do município não significa que o cidadão vá desenvolver relação de maior afetividade com a cidade. Afinal, a rotina continua e o aparecidense, do trabalho, retorna ao lar apenas para o soninho costumeiro de longas datas. E, se por um lado, uma fatia de trabalhadores do município foi beneficiada, por extensão, pela presença da indústria, o que encurtou a distância entre a casa e o trabalho, por outro, nunca passou pela cabeça dos administradores a idéia de oferecer ao aparecidense condições para viver a cidade na sua plenitude, como um espaço de integração social.
Para se ter uma idéia, qualquer um que caminhe por Aparecida tão logo percebe que o espaço resume-se, basicamente, num gigantesco retalho de lotes e vias. As pessoas são obrigadas a caminhar pelo meio da rua, recebendo a pecha de mal educadas, porque o espaço reservado à calçada, de tão minúsculo, impede o trânsito de pedestre. É o que acontece em bairros como Garavelo, Jardim Tiradentes e tantos outros, onde se notam pessoas pelas ruas, atrapalhando o tráfego. O pior de tudo é que, assim que sai de casa, o aparecidense cai, este é o termo, muito abruptamente, na rua.
Isso porque os lotes de Aparecida não dispõem do tradicional recuo das vias, onde o aparecidense possa construir uma razoável calçada para o trafego de pedestres e até mesmo para que, ele próprio, passe algumas horas a travar conversa com um vizinho, sem o risco de atropelamento. A cidade, segundo parece, só foi pensada para os carros. E o município é carente também de praças. Marco do surgimento de grande parte das cidades brasileiras, a praça é um ícone do romantismo. Muito embora o aparecidense não seja menos romântico, o município conta apenas com três pequenas praças para quase meio milhão de habitantes, espalhados por cerca de quatrocentos bairros. E de quem é a culpa? É claro que muitos dirão que é do crescimento desenfreado pelo qual passou o município, que tem seus limites conurbados com a capital em diversos pontos. Assim, deixam de considerar que os distintos cidadãos que governaram a cidade fizeram dela apenas um lugar bom e barato para se dormir, sem se importarem que ela deveria ser também um lugar aconchegante para se viver. E foi no transcurso de 70 a 90 que o município ganhou a fealdade dos cortiços, por mãos irresponsáveis que, no conluio com grupos imobiliários, retalharam o espaço sem, todavia, se preocuparem com o bem estar dos que ali morariam. Era a repetida prática da exploração que desenhava uma “banana” bem visível para a qualidade de vida, passando a lotear palmo a palmo cada pedaço de chão, sem levar em consideração os espaços que deveriam ser destinados ao lazer e à preservação ambiental. Só pra se ter uma idéia, a atual Serra das Areias, até bem pouco tempo, era um setor que, muito embora fosse desconhecido e desabitado, tinha sido loteado com o sugestivo nome de Monte Sinai. Somente muitos anos mais tarde, já que ninguém se arriscara habitar o local, seria possível que o poder público realizasse o tombamento, transformando o espaço em patrimônio de preservação ambiental.
Não é, portanto, por seu arbítrio que o cidadão aparecidense está condicionado à individualidade e ao enclausuramento social. É por pura falta de opção, mesmo. E também não adianta dizer que a presença solitária de um shopping e de uma festa anual como o rodeioshow respondam pelo lazer do aparecidense. A verdade é que os espaços comuns para o convívio social se repetem nas escolas e nas tradicionais “feirinhas”. Isso torna a vida menos agradável e permite que o jovem continue migrando para a capital em busca de espaços próprios para seu passa-tempo.
O porquê de se construir um jornal de idéias

Na crença de que o homem seja produto daquilo que lê, idealizamos o Faro, um jornal de circulação de idéias que pretende contribuir para a melhor leitura e para a formação do sujeito. É um suporte comunicacional que nasce num contexto de indignação de alguns leitores, que se sentem afrontados na inteligência e desrespeitados como cidadãos. Afinal, não é possível conceber um homem livre e produtivo intelectualmente a partir de leituras de periódicos que, mascarados como “gratuitos”, nada realizam senão o ordinário ofício de agendas de movimentação política. O comportamento, adotado pelos veículos locais que vivem do dinheiro público, é um artifício, uma forma de suplantar a realidade pela pintura de quadros positivos independente da ordem e do caos percebido pelo leitor.
O Faro, na contramão de tudo isso, será, portanto, um jornal de análise das contradições, de questionamentos e de hipóteses. Pretende veicular o “não dito”, por meio de opiniões, desenhos, crítica, humor e de toda forma de produção cultural. Com a meta de contribuir para o exercício da leitura e para a consolidação do pensamento crítico, propõe-se a argumentar sobre os fatos noticiados, contrariando os jornais que se acomodam à sombra dos palácios oficiais, cuja posição tem sido a de defender o poder estatal. Destarte, o Faro pretende constituir-se como um veículo combativo às notícias que não problematizam em nada a realidade concebida, como se, por aqui, tudo corresse às mil maravilhas. Não se pode, afinal, admitir, para o bem estar da sociedade, que o povo ande tocado como gado, nem que as escolas continuem amordaçadas em detrimento do poder. E, o mais grave, não se deve aceitar que o cidadão continue amputado de sua indignação, anestesiado pela leitura de jornais que se limitam à bajulação política. Esse comportamento, que rende aos bolsos de alguns, muito dinheiro, é o principal responsável pelo achatamento cultural e pela ignorância, “mãe de muitas misérias”, algo deprimente numa sociedade que se proclama democrática. Em outras palavras, o Faro, que não é nenhum movimento político, deve ser o contradiscurso do jornalismo oficial, pois este nada mais é do que a tentativa de validar as ações políticas, a fim de que o cidadão as conceba como algo natural, à exemplo do recente escândalo da “viagem a Natal”, quando jornais locais saíram em defesa dos vereadores de Aparecida de Goiânia.
POR QUE CONSTRUIR UM JORNAL DE IDÉIAS

O FARO é um jornal de circulação de idéias que se ampara no pressuposto legal, no direito que tem o cidadão de se expressar. Nasce, num momento de crise da informação, ocasião em que se multiplicam país afora os jornais da chamada “imprensa menor”. Trabalhando sob a máscara de “alternativos” e de “jornais de circulação gratuita”, mas, por outro lado, atrelados às estruturas de poder, tais veículos têm função anestesiante e procuram validar como verdade as ações políticas, a fim de concebê-las como naturais. É inegável que exista uma relação de dominância dos agentes políticos das cidades sobre esses jornais cuja sobrevivência depende exclusivamente do poder público. E o resultado disso tem sido a precariedade editorial, com notícias que constroem uma realidade positiva independente da ordem e do caos estabelecido, nas quais se notam, em elevado grau, a intencionalidade em se dirimir o peso da responsabilidade que deveria ser atribuída ao Poder Público.

Desenho da edição do Faro
A ilustração ao lado foi elaborada por Jovagner, colaborador do jornal Faro Circulação de Ideias. Trata-se de um excelente profissional que conseguiu resumir, de modo muito objetivo, as idéias tratadas na matéria da 7ª edição do jornal que levou o título "Os perigos do otimismo". O texto original estará no blog nos próximos dias.
Um abraço a todos os leitores.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Nos derradeiros dias da campanha política em Aparecida de Goiânia, Marlúcio Pereira, que representa a base aliada dá mostras de desespero. Além do barulho infernal produzido pelos carros de som, o discurso do candidato traz algo de particularmente curioso. Ele evoca o eleitor a reconhecer que a cidade e a vida da população aparecidense teria melhorado bastante nas mãos de Ademir Menezes e José Macedo, ex-prefeito e atual prefeito, respectivamente.
Mas, como a tática de pressionar a memória do povo não tem dado certo, Marlúcio passou a ressaltar a sua condição racial e a enfatizar o aspecto religioso, já que ele garante ser protestante, membro efetivo da igreja Assembléia de Deus.
Enquanto isso, o prefeitável Maguito Vilela continua em alta nas pesquisas no município, liderando com uma folga de mais de cinquenta por cento de frente em relação a seu oponente.

Gedeon Campos

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Primeiro post

Este é o primeiro post deste blog que tem por objetivo, trocar idéias e promover debate.